
A sanção da Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, em setembro, colocou no centro da agenda brasileira um desafio que vai além da exploração das reservas existentes no país: transformar uma parcela maior dessa riqueza mineral antes de exportá-la. Segundo o Ministério da Fazenda, nova legislação prevê estímulos à pesquisa, ao beneficiamento, à transformação e à industrialização, com o objetivo de agregar valor e fortalecer a cadeia produtiva nacional.
Entre a extração do minério e sua transformação em matéria-prima para diferentes indústrias, porém, existe uma etapa menos visível. Separação, purificação, beneficiamento e transformação mineral envolvem conhecimentos e processos químicos capazes de interferir na eficiência, segurança e qualidade do produto obtido. Ao se manifestar sobre a nova política, o Conselho Federal de Química (CFQ) chamou atenção justamente para o papel estratégico da química nessas etapas e para a necessidade de ampliar a capacidade brasileira de processar e transformar seus próprios recursos.
É nesse cenário que a Katrium pretende ampliar sua participação na mineração. Fabricante brasileira de produtos químicos e integrante do Grupo Quimpac, a companhia vê no avanço do beneficiamento mineral uma oportunidade para fornecedores capazes de atender às exigências técnicas e operacionais de uma indústria na qual alterações nas características dos insumos podem repercutir no processo produtivo. Para Renan Coelho, diretor comercial da empresa, "regularidade de especificação, segurança, rastreabilidade e previsibilidade logística estão entre os atributos cada vez mais valorizados pelo setor".
Coelho acredita que a importância da química tende a aumentar à medida que o país avança para etapas de maior valor agregado. A Lei nº 15.506/2026 define o beneficiamento mineral como o tratamento realizado após a extração, no qual processos físicos ou químicos separam o bem mineral dos resíduos ou rejeitos indesejados. Já a transformação envolve processos capazes de alterar a natureza química ou física do mineral para a obtenção de um novo produto. "Na prática, isso amplia o espaço para conhecimento técnico, controle de processos e insumos com especificações adequadas a diferentes operações".
A experiência internacional do grupo ao qual pertence a Katrium também aproxima a companhia desse universo. Com sede no Peru, país em que a mineração ocupa posição relevante na economia, a Quimpac inclui expressamente a indústria mineradora entre os segmentos atendidos por sua divisão de sais industriais. O grupo também produz soda cáustica, cloro líquido, ácido clorídrico, hipocloritos, cloreto de cálcio e sais férricos, produtos destinados a diferentes aplicações industriais e ao tratamento de águas. A relação permite à operação brasileira acompanhar experiências desenvolvidas em um mercado latino-americano fortemente ligado à atividade mineral.
O movimento ocorre em um momento em que minerais críticos e estratégicos ganharam importância para cadeias como transição energética, armazenamento de energia, veículos elétricos, semicondutores e outras tecnologias avançadas. "A nova política brasileira procura reduzir a concentração do país na exportação de matérias-primas e estimular atividades de maior conteúdo tecnológico. Entre os instrumentos previstos estão incentivos ao beneficiamento e à transformação mineral e investimentos em pesquisa, desenvolvimento e inovação", avalia o executivo da indústria química.
"Para a indústria química, a mudança abre um campo que vai além do fornecimento de produtos. Quanto mais sofisticadas forem as etapas realizadas dentro do país, maiores serão as exigências relacionadas a conhecimento técnico, estabilidade dos processos, qualidade dos insumos e desenvolvimento de soluções adequadas a cada operação", diz Renan Coelho. Nesse contexto, a química deixa de ser apenas uma etapa pouco percebida da mineração para ocupar posição estratégica na capacidade brasileira de transformar recursos naturais em produtos de maior valor.
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